Trump abre janela de oportunidade para maior integração na América Latina (EL PAÍS)

Share

 MacriTemer

Um dos principais obstáculos à maior integração regional é a divisão existente há anos na América Latina entre a Aliança do Pacífico e o Mercosul.

logo El Pais

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/13/opinion/1487024327_191535.html

É provável que Donald Trump rompa o consenso articulado 70 anos atrás de que os Estados Unidos devem atuar como âncora do sistema internacional por meio da promoção de normas globais e garantias de segurança a seus aliados. Essa estratégia revisionista de Trump poderá levar à incerteza e à instabilidade na Europa, Ásia e Oriente Médio, onde o recuo dos EUA teria profundas implicações geopolíticas.

No caso da América Latina, as consequências são em grande parte restritas ao âmbito econômico. O México deverá ser o mais afetado pela abordagem "America First" de Trump. O país tem 80% de suas exportações destinadas a seu vizinho do norte (as quais, por sua vez, possuem 40% de conteúdo dos EUA). Mais da metade de seu investimento estrangeiro direto vem dos Estados Unidos, assim como 26 bilhões de dólares em remessas de mexicanos que vivem nos EUA. Diante disso, o presidente Enrique Peña Nieto se verá forçado a articular a mais profunda reorientação estratégica do país desde a adesão ao Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês) em 1994.

O fim do acordo é improvável por enquanto, já que mais de 10 milhões de empregos nos Estados Unidos dependem dele. No entanto, já não se pode mais descartar uma renegociação fundamental do NAFTA — a qual poderia trazer consequências desastrosas para um país cuja economia tem um comércio bidirecional diário de 1,4 bilhões de dólares com os EUA. Em resposta, o México buscará diversificar suas parcerias e, em particular, fortalecer os laços comerciais com a Europa e a Ásia.

Porém, a crise do NAFTA também cria uma janela de oportunidade para o Mercosul se aproximar do México. Além de benefícios econômicos mútuos, laços mais fortes permitiriam aos governos dos países envolvidos coordenarem melhor estratégias para enfrentar os principais desafios regionais, como o tráfico de drogas e armas, a migração, a ascensão da China, a degradação ambiental e a corrupção.

Continue lendo aqui.

Photo credit: ERALDO PERES / AP