Política externa é peça-chave para futuro do combate à corrupção no Brasil

Share

 Odebrecht

Deve ficar para uma próxima liderança política o papel de protagonista no combate à corrupção na América Latina

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/13/opinion/1489439674_745413.html

logo El Pais

O terremoto político, causado pelas revelações de anos de pagamentos milionários e sistemáticos em suborno a políticos da América Latina pela Odebrecht e outras grandes empresas, é um desastre para o Brasil e sua política externa dos últimos 15 anos.

A estratégia do governo de impulsionar a influência do Brasil ao apoiar suas grandes empresas no exterior — a chamada 'internacionalização do capitalismo brasileiro' — foi um pilar fundamental da política externa regional a partir de meados dos anos 2000. Essa política permitiu ao país não apenas alcançar visibilidade e acesso sem precedentes, de Buenos Aires à Cidade do Panamá (onde antes tinha pouca influência), mas também estabelecer uma narrativa sobre seu impacto estabilizador e modernizador na América Latina.

No entanto, apesar de as investigações da Lava Jato ainda estarem em andamento, já ficou claro que, por meio de suas “campeãs nacionais”, o Brasil também promoveu a má governança e a corrupção em uma região onde o Estado de Direito está longe de consolidar-se plenamente. O caso abalou a reputação brasileira e suas ambições de liderança regional, já enfraquecidas devido a sua crise econômica e política. Por exemplo, depois de operar no Peru há quase 40 anos, a Odebrecht pode ter de deixar o país vizinho, que acusa a empresa de ter corrompido as últimas três administrações peruanas. Pode-se esperar que outros países sigam seu exemplo. Em vários deles, como no Panamá, estima-se que o cancelamento de obras pode levar a uma queda de 1% no PIB, uma vez que houve grandes apostas em investimentos em infraestrutura.

No entanto, a crise também representa uma oportunidade ímpar para fortalecer as instituições democráticas e recuperar a reputação do Brasil. Nesse contexto, a cooperação regional para combater o crime organizado e a corrupção — provavelmente o maior desafio da América Latina hoje — será essencial.

Primeiramente, o Brasil deve fazer do combate à corrupção um ponto central de sua política externa, ajudando os promotores públicos, as forças-tarefa da Polícia Federal e os juízes a conquistarem e manterem suas próprias plataformas e canais de comunicação..  continue aqui.

Leia também:

Trump abre janela de oportunidade para maior integração na América Latina

Uma brecha para a América Latina na disputa entre os EUA de Trump e a China

É a hora de um pacto para salvar a Venezuela