Apagão diplomático no G20 (EL PAÍS)

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https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/10/opinion/1499713814_743182.html

Oliver Stuenkel

O presidente Temer teve uma atuação apagada na cúpula do G20 em Hamburgo e voltou ao Brasil sem ter realizado nenhum encontro bilateral. Depois de apenas 30 horas na Alemanha, retornou a Brasília para continuar a luta por sua sobrevivência política. Enquanto o peemedebista perdeu o último almoço na cúpula com seus pares, o presidente argentino Mauricio Macri teve uma agenda cheia, incluindo reuniões com outros líderes em ascensão, como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong, e o novo presidente francês Emmanuel Macron. Como é anfitrião do próximo G20, em 2018, Macri esteve, na foto oficial da cúpula, ao lado da líder alemã Angela Merkel e do presidente chinês, Xi Jinping, que organizou a cúpula do ano passado.

Poderia ter sido pior. A participação de Temer, mesmo que mínima, evitou que o Brasil fosse a notícia negativa do evento, como o único país que não teve representação de primeiro nível. O erro maior foi a decisão desastrosa de anunciar o cancelamento da viagem na semana passada — revertida poucos dias depois —, o que levou outros líderes interessados em se reunir com Temer a remanejar suas agendas.

Contrariando a percepção popular no Brasil, mesmo com um presidente extremamente enfraquecido, o país é muito importante para ser deixado de escanteio em grandes debates globais. Entre as dez maiores economias do mundo, é impossível avançar em discussões sobre grandes desafios, — como mudança climática, instabilidade financeira, corrupção ou o combate ao tráfico de drogas, — sem participação brasileira. Esse é, em boa medida, o resultado de um árduo trabalho diplomático brasileiro que se orientou, apesar de algumas alterações ao longo dos anos, no sentido de um grande consenso, em vigor desde meados da década de 1990, de que uma maior participação internacional era do interesse do Brasil. 

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