A crise venezuelana também é nossa (EL PAÍS)

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Chegada de refugiados do país vizinho representa desafios e oportunidades para o Brasil

OLIVER STUENKEL
13 NOV 2017

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/13/opinion/1510586519_636482.html

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Em um recente debate na Universidade de São Paulo (USP) sobre como lidar com a crise na Venezuela, um aluno perguntou: "Não devemos nos preocupar com nossos desafios domésticos em vez de discutir problemas dos outros que têm pouco impacto em nossas vidas diárias?". À primeira vista, a situação na Venezuela, apesar de ter se transformado em uma crise humanitária e geopolítica com envolvimento direto de Cuba, Estados Unidos, China e Rússia, parece ter pouca relevância para nós. Diante da crise política, econômica e social brasileira, que legitimidade temos para interferir nos assuntos internos de nossos vizinhos?

Tais questionamentos, bastante comuns, são fruto de paroquialismo. Não levam em consideração que a crise da Venezuela já afeta profundamente os brasileiros, sobretudo aqueles na cidade de Boa Vista (Roraima), a única capital do país ao norte do equador. É principalmente para lá que os venezuelanos do leste do país fogem da violência, da pobreza ou da falta de medicamentos básicos. Esses imigrantes estão cada vez mais presentes nos cruzamentos da cidade, lavando pára-brisas, vendendo doces, pedindo trocados. Faz tempo que a crise venezuelana é brasileira também, e a situação em Roraima é um exemplo clássico de por que a preocupação com temas externos deve fazer parte do debate doméstico.

As estimativas sobre o número de venezuelanos no Brasil variam, pois é bastante fácil atravessar a fronteira sem documentação. Alguns trabalham aqui, mas retornam regularmente à Venezuela para ajudar membros da família deixados para trás. Acredita-se que haja entre 25 e 30 mil venezuelanos na região de Boa Vista hoje. Essa estimativa é muito inferior à do número de venezuelanos que entraram na Colômbia (entre 400.000 e 900.000). No entanto, esse afluxo de pessoas não é trivial para uma cidade de 325 mil habitantes que nunca viveu algo parecido. Até agora, houve poucos casos de xenofobia explícita e o setor privado tem ajudado bastante. Muitos garçons em cafés e restaurantes da cidade são venezuelanos. Professores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) oferecem aulas para refugiados, aconselham... 

Ler matéria na íntegra aqui.

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