
9 de abril de 2012
Instituição participa do encontro preliminar dos chamados "think tanks" dos Brics, em Nova Déli. Fundação Getúlio Vargas é apontada como o 27º mais importante centro de pensamento por instituição dos EUA.
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Dias antes da cúpula dos Brics, os núcleos de reflexão ("think tanks") de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reuniram em Nova Déli, na Índia, para tratar de temas que os líderes discutiriam depois.
Entre os tópicos estavam o banco de desenvolvimento conjunto, o comércio em moedas locais, a coordenação em política externa e a inovação tecnológica.
Pelo Brasil, estava lá a FGV (Fundação Getúlio Vargas). O conceito é novo tanto aqui como nos outros Brics, mas os "thinks tanks" dos emergentes começam a ombrear seus modelos centenários dos Estados Unidos e da Europa.
Na nova edição do ranking dos 30 principais no mundo, feito pela Universidade da Pensilvânia (UPenn), a FGV surgiu em 27º. A Rússia emplacou dois centros, a China um -a Academia Chinesa de Ciências Sociais.
O ranking é levantado ao longo de oito meses, das indicações ao resultado, num processo que envolve 1.500 especialistas do mundo todo.
James McGann, diretor do Programa de Think Tanks e Sociedades Civis da UPenn, afirma que a presença do Brasil "está diretamente relacionada à sua ascensão no mundo". A comunidade internacional está mais atenta aos emergentes "por causa das mudanças no poder global".
Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV, diz que "o mundo resolveu olhar para outros países e, em especial, para o Brasil". Para Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais que representou a Fundação na Índia, "a capacidade de determinar a agenda da conversa global já não fica só com as instituições americanas".
Stuenkel diz que "hoje um debate sobre qualquer desafio global precisa de alguém de instituição brasileira, porque o país já é um ator importante em todas as áreas".
No ranking, outros centros do país são lembrados, como Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Para além da maior visibilidade dos emergentes, McGann vê em seus governos e nas próprias sociedades "maior apoio a essas organizações de política pública, como forma de incrementar a projeção de sua influência, regional e global". Lideram a lista Brookings (EUA), Chatham House (Reino Unido), Carnegie (EUA) e Council on Foreign Relations (EUA).
Emerging Powers and the Responsibility to Protect

As new powers like Brazil, India and China rise to the top of the international order", Michael Ignatieff wrote recently, "their resistance to intervention will become increasingly influential. 'Responsibility to protect' will continue to frame the terms of debate, but it has a long way to go before it becomes customary international law." Yet emerging powers are far from certain about their traditional stance on non-interference and rejection of R2P. As their national interests begin to change in function of their economic and geopolitical rise, the debate about what role sovereignty should play is gaining momentum in Brasília, Delhi and Beijing.
This does not mean that emerging powers can be expected to soon adhere to the Western discourse about intervention; far from it. Yet Western governments and analysts would also be wrong to dismiss rising powers' leaders as hopeless Westphalian ideologues. Consensus-builders are now needed more than ever to keep us from returning to the days of Rwanda and Kosovo, in which we faced the stark choice between inaction in the face of large-scale killings (Rwanda) and intervention outlawed by the U.N. Charter (Kosovo).
As an article in The Economist pointed out late last year, China was beginning "to knock against the limits of its hallowed non-interference”. Perhaps worried that its economic interests in Libya would be threatened if it were to be singled out as Gaddafi's staunchest ally, China decided not to veto the resolution to employ "all necessary measures to protect civilians" in Libya. Even more surprising, Chinese diplomats met the Libyan rebels in Qatar and Benghazi, possibly reflecting the European Council of Foreign Relations' argument that "a posture of non-interference was increasingly at odds with [China's] global economic presence”. Such talk, however, cannot conceal that because of China's domestic political situation, the government is likely to continue condemning any revolution abroad for fear of encouraging an uprising at home.
India has traditionally been one of the most stalwart defenders of the principle of sovereignty, but it has recently shown some flexibility as well. In 2011, the concept of 'responsibility while protecting' (an idea launched by Brazil) was part of the IBSA summit declaration. While RWP is likely to be seen by the West as a tactic to delay intervention, India's support for it implies that it is ready to support intervention in some specific instances. Rather than siding with Moscow and Beijing, India also voted in favor of the defeated resolution condemning the Syrian government.
Brazil is no different. As Matias Spektor recently wrote in a column in Folha de São Paulo, Brazil's stance on intervention is "in flux". He argued that while the traditional thinking was still strong, "many in Brasília already regard as legitimate the suspension of the sovereign rights of governments that are unwilling or unable to care for their own citizens." He further comments that "this situation was unthinkable only few years ago." In the same way, Kai Kenkel argues in a recent article that "Brazil is no longer a vocal detractor of R2P". Yet, rather than fully adopting Washington's view, Spektor expects Brazil to continue straddling both worlds, thus seeking to become an active voice in the global debate about the future of intervention.
This makes Brazil's role among the emerging powers unique, potentially turning the country into a crucial mediator between the West and the rest. The concept of the 'Responsibility While Protecting' aimed at reflecting just that. At the 4th BRICS Summit, however, 'RWP' failed to do its magic: Regarding Syria, Russia imposed its view on the other BRICS countries, making any mention of RWP impossible.
As Ignatieff points out "the ‘responsibility to protect’ doctrine was crafted after Kosovo to bridge the gap between the global North and the global South on intervention." He is right to observe that Libya and its aftermath show that "these North-South bridges are still not built."
Building that bridge is a daunting challenge that may take years to complete, and it will require difficult concessions from both sides. The intervention in Libya may have complicated the debate even further, but as long as the topic is high on the agenda of both Western and non-Western actors, there is hope that meaningful progress can be made. Unprecedented debates about R2P such as those in Brazil and India certainly show not everybody's views are set in stone.
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http://expresso.sapo.pt/brics-um-plano-de-acao-de-reforco-do-grupo=f717125
Quinta feira, 5 de abril de 2012
A cimeira de New Deli foi desvalorizada pelos "ocidentais", mas foram tomadas medidas concretas de reforço das relações entre os cinco países que terão impacto negativo na Europa e Japão e exercerão clara pressão nas Nações Unidas, FMI e Banco Mundial.
"Foi notável a hostilidade visível nos media ocidentais, prévia a esta cimeira. Quase todas as opiniões e comentadores sublinharam que os BRICS não têm futuro e que estariam longe de encontrar um denominador comum", refere-nos Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Escola de História e Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Stuenkel participou nas reuniões prévias preparatórias da cimeira de Nova Deli, que se realizou na semana anterior ao encontro, e veio otimista sobre a dinâmica criada, ao fim de três anos depois da primeira cimeira na Rússia.
Apesar do coro de críticas a ocidente, ficou clara a determinação dos BRICS, diz o economista indiano Soumodip Sarkar, professor na Universidade de Évora, que sublinha: "A cimeira teve um impacto nos media globais onde os BRICS mostraram ao mundo que o poder mudou. Devemos esperar, também, que estes países se tornem mais determinados nos assuntos internacionais".
Um plano de ação
Uma das novidades aprovadas, agora, foi o "Plano de Ação de Deli", com 17 pontos, que aponta, como refere o professor da FGV, para "um reforço dos laços a todos os níveis entre os cinco países". As reuniões multilaterais a nível ministerial e de especialistas passam a ser regulares em diversas áreas e as consultas entre diplomatas nas missões permanentes dos BRICS em Nova Iorque, Viena e Genebra, cidades onde estão sediadas importantes organizações internacionais, serão acionadas sempre que necessário. A este nível, o Plano de Ação prevê o reforço das relações nas questões de energia e académicas.
Mas é na área das relações comerciais e financeiras que esta cimeira deu um passo em frente, consideram os especialistas ouvidos pelo Expresso. "Os líderes dos BRICS reconheceram em profundidade o significado de dar passos pragmáticos para promover a cooperação bilateral no comércio, no investimento e na área financeira", sublinha o economista chinês Xu Hongcai, professor de Finanças em Pequim e diretor no China Center for International Economic Exchanges, um dos mais importantes think tanks chineses. Ele destaca os mecanismos que vão ser montados entre bancos centrais, entre bancos ligados ao comércio externo e ao desenvolvimento, e entre as bolsas respetivas. O ponto 18 do comunicado final de Deli refere a conclusão de um acordo de extensão das facilidades de crédito em divisas dos cinco através de um mecanismo de cooperação bancária e outro acordo para um mecanismo de confirmação de cartas de crédito entre os bancos de comércio externo e de desenvolvimento dos cinco países. Por outro lado, o ponto 47 refere o estabelecimento de uma aliança entre as bolsas dos BRICS, uma iniciativa conjunta das bolsas de valores respetivas.
Principais vítimas: Zona euro e Japão
"As decisões 18 e 47 do comunicado são os resultados mais significativos e têm um potencial claro de reorientar os fluxos financeiros e comerciais mundiais para as relações Sul-Sul, ou, pelo menos, entre os BRICS. As implicações destas decisões vão, para além, do simples comércio bilateral. Se tiverem sucesso, no longo prazo, reduzirão os fluxos de capital para vários países desenvolvidos, sobretudo regiões com fraco crescimento e com crédito deteriorado, nomeadamente na zona euro e Japão", afirma, por seu lado, o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin. Gurdgiev vai mesmo mais longe no impacto geoeconómico desta decisão dos BRICS: "Orientar mais comércio para as relações entre os BRICS e reter os excedentes comerciais nas divisas deles vai implicar uma maior marginalização da Europa e do Japão".
A proposta da Índia de criação de um Banco de Desenvolvimento ficou de ser estudada. Para Soumodip Sarkar, essa será a medida de maior impacto, muito mais do que as relacionadas com o comércio, atrás referidas, sobre as quais o professor de Évora duvida quanto à sua intensidade real na prática. Oliver Stuenkel garante "que o Banco surgirá no próximo ano durante a cimeira dos BRICS na África do Sul". Em contraste, Constantin Gurdgiev acha pouco provável que esse banco venha a conhecer a luz do sol. Por razões geopolíticas: "É claro para mim que, atualmente, o Brasil, e em menor grau a Rússia e a Índia, não vêm grande possibilidade de concretização de um tal tipo de banco financiado diretamente pelos BRICS. Uma instituição desse tipo seria, naturalmente, dominada pelos excedentes da balança corrente da China, criando uma situação em que decisões politizadas poderão favorecer a estratégia de captura global de cadeias de fornecimento de commodities pela China", frisa o economista russo.
A questão das quotas no FMI
Outra dimensão importante da cimeira situa-se no plano da política internacional. Apesar de uma insistência nas questões de governação das instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, a cimeira não decidiu apoiar um candidato comum à presidência deste último, tal como já acontecera com o caso do FMI. Sobre o FMI, Xu Hongcai é crítico do "ritmo de ajustamento das quotas". Entretanto, a diretora-geral do FMI respondeu, esta semana, às críticas afirmando ao Knowledge Wharton/Paris Tech Review, que o processo de reforma das quotas, que estará precisamente "a meio" caminho, levará a uma deslocação de 6% para as economias emergentes e em desenvolvimento. "Os BRIC estarão claramente entre os recipientes destas quotas adicionais, e em virtude dessa reforma todos eles estarão entre os 10 principais países desta instituição em termos de quotas", frisou Christine Lagarde.
No campo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pressão é clara. "Os BRICS desejam reformar as Nações Unidas. A China e a Rússia apoiam que o Brasil, Índia e África do Sul desempenhem um papel maior na ONU", refere Xu Hongcai.
Um dos pontos que foi sublinhado respeita às relações entre a China e a Índia. "Os problemas bilaterais entre os dois países são encarados como a maior vulnerabilidade no conceito dos BRICS. Mas é surpreendente como ambas se relacionaram bem", diz Stuenkel. Soumodip Sarkar sublinha, por seu lado, "o que se passou nos bastidores em particular entre a China e a Índia e entre o Brasil e a Índia". O professor de Évora salienta que as tensões entre os dois vizinhos asiáticos "arrefeceram, e isso pode ser uma medida de crescente confiança que poderá levar a mais investimento da China na Índia". Entre o Brasil e a Índia assinou-se um acordo que permitirá a investigadores brasileiros investigar nas universidades indianas.
A posição sobre a situação na Síria parece refletir a postura da Rússia na guerra civil em curso e quanto ao Irão os BRICS afirmaram, em conjunto, que não se pode permitir que a situação evolua para um conflito, sublinha, a concluir, Oliver Stuenkel.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/brics-um-plano-de-acao-de-reforco-do-poder-do-grupo=f717125#ixzz1r7KUsHIx
http://www.cartacapital.com.br/economia/com-brics-africanos-deixam-de-ser-coitados/
Marcelo Pellegrini - 28.03.2012
Com a ajuda dos Brics, grupo das nações emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os países pobres do continente africano se transformaram em parceiros estratégicos e numa rota de oportunidades. Saem de cena os “pobres coitados” e entram os potenciais consumidores.
É o que mostra um relatório da Global Health Strategies initiatives (GHSi) divulgado às vésperas da quarta cúpula dos Brics, em Nova Delhi (Índia). O documento mostra, entre outros pontos, que, entre 2005 e 2010, a ajuda do grupo emergente aos países africanos aumentou em um ritmo dez vezes maior do que as ações de socorro do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá).
O ritmo tem mudado a relação de dependência dos países africanos em relação à elite financeira do planeta.
Em entrevista a CartaCapital, Oliver Stuenkel, professor da FGV-SP, explica que a ajuda dos Brics colocaram a África no mapa do mundo novamente. “O continente deixou de ser visto como uma região de pobres coitados que precisam de ajuda. Depois dos Brics, a África é vista como uma grande oportunidade, como um parceiro com grande potencial de consumidores.”
Segundo o relatório da GHSi, estima-se que os gastos do Brasil com ajuda externa tenham ficado entre 400 milhões e 1,2 bilhão de dólares em 2010. A Rússia teria desembolsado cerca de US$ 500 milhões no mesmo ano, enquanto a Índia teria gastado US$ 680 milhões, a China, US$ 3,9 bilhões, e a África do Sul, US$ 150 milhões.
Apesar da ajuda econômica dos países desenvolvidos ainda é maior, segundo Stuenkel , a introdução dos Brics no continente africano representa um reequilíbrio de poder na região. Isso é visível, por exemplo, quando se compara o número de embaixadas brasileiras com as britânicas na África. “O Brasil já possui 37 embaixadas no continente africano, mais do que o Reino Unido. Isso é prova de que o Brasil encara a África como uma prioridade e oportunidade”, ressalta o professor.
De acordo com a análise, os Brics misturam motivações altruístas com interesses políticos e econômicos e têm uma abordagem menos paternalista do que os países ricos. As potências emergentes não apostam em ajuda, mas sim, em cooperação. Por conta disso, são vistos como atores menos arrogantes na região.
De acordo com Stuenkel, os Brics compartilham conhecimento e transferem tecnologia com os países africanos sem exigir contrapartidas que interfiram na soberania dos países.
“Pela própria história de Brasil e Índia, que foram receptores de crédito do FMI, esses países operam com mais cuidado”, diz.
O professor relembra que, na época, os créditos cedidos ao Brasil eram acompanhados de imposições de reformas que limitavam a soberania do país. “Essa lembrança ainda está muito viva, por isso, a relutância em se exigir isso”.
Atuação recente
Por outro lado, a boa reputação dos Brics está relacionada com a presença recente do grupo no continente. Com o tempo, a tendência é que essa relação sofra desgastes. “Uma vez que o Brasil se torna mais presente em Moçambique e em Angola, maiores as chances dessa visão positiva mudar”.
Esse comportamento já é verificado, por exemplo, em reação à forte presença chinesa no continente. “Hoje, alguns países africanos já se sente atropelados, principalmente, pela China, em muitas áreas”, conta Stuenkel.
Nos Brics estão 42% da população do planeta e 30% dos seus territórios. Espera-se que, em 2015, o PIB dos Brics chegue a 22% do PIB mundial.

Por Oliver Stuenkel
http://www.asuntosdelsur.org/opiniones/opinion/241
As potências emergentes estão se mudando para a África. O papel da China na África é amplamente examinado hoje em dia. O papel da Índia na África ainda é um tema marginal, mas um número crescente de analistas passou a sistematicamente estudar a presença indiana no continente. O Brasil, por sua vez, é o novato, e bastante desconhecido, mas suas atividades na África suscitam cada vez mais interesse ao redor do mundo. Considerando-se que o Brasil não precisa importar energia nem alimentos (fatores de motivação importantes tanto para a China quanto para a Índia), quais são os interesses do Brasil na África?
Além do fato de terem sido ligados pela geografia há milhões de anos (o Brasil e a África formavam o continente único Gondwana, como atestam os formatos dos litorais do Brasil e da África Ocidental), o comércio escravagista transatlântico, abolido em 1888, criou uma conexão cultural forte e irreversível entre a África e o Brasil – foram levados mais escravos ao Brasil do que a qualquer outro país no hemisfério ocidental, incluindo os Estados Unidos. O Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) estabeleceu as bases para diversificar as parcerias brasileiras após o fim da Guerra Fria, mas foi o Presidente Lula (2003-2010) que fez da África uma prioridade estratégica (como parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a cooperação Sul-Sul). Embora algumas de suas muitas viagens à África possam ter produzido poucos benefícios concretos, os esforços serviram ao objetivo maior de colocar o Brasil na posição de líder do Sul, e mesmo os críticos de Lula admitem hoje que a posição brasileira na África teve um impulso sem precedentes. O Presidente Lula fez 12 viagens à África e visitou 21 países. Na direção contrária, o Brasil recebeu 47 visitas de reis, presidentes e primeiros-ministros de 27 nações africanas. O então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, fez 67 visitas oficiais a 34 países africanos durante sua gestão no governo Lula. O Brasil tem, hoje, 37 embaixadas na África, comparadas com as 17 existentes em 2002.
Mas o que pode oferecer o Brasil à África comparado com outros atores emergentes como a China e a Índia? A primeira coisa que vem à mente é a experiência brasileira em agricultura tropical. A agricultura brasileira não é apenas a mais produtiva do mundo, mas as condições similares de solo e de clima permitiram à empresa de pesquisa agropecuária EMBRAPA ajudar nações africanas a impulsionarem seu desenvolvimento agrícola. Além disso, políticas sociais inovadoras (tais como o programa Bolsa Família) foram replicadas em vários países africanos. O Brasil não é apenas atraente para a África no sentido de ser o único país dos BRICs a ter uma população africana de peso, mas também porque é a única potência emergente capaz de reduzir a desigualdade socioeconômica no plano doméstico, aumentando, dessa maneira, a estabilidade social.
O Brasil: a Nova China?
As similaridades entre as estratégias da Índia e da China na África provavelmente superam as diferenças, ambas baseadas, entre outras coisas, em suas necessidades de assegurar o acesso a commodities para abastecer a sua ascensão; ambas desejam usar a agricultura africana para garantir a segurança alimentar no plano doméstico. Mas qual é o caso do Brasil? O gigante emergente da América do Sul é frequentemente alinhado com a China e a Índia em questões importantes tais como a não intervenção e em sua resistência contra uma ‘abordagem ocidental’ que enfatiza a importância de ‘boa governança’. Mas as empresas brasileiras na África buscam distinguir-se de suas contrapartes chinesas, por exemplo, ao empregar e treinar trabalhadores locais. É o caso da Odebrecht, que é o maior empregador privado da Angola, mesmo com a presença de muitas grandes firmas chineses no país. Não obstante o aumento do comércio brasileiro com a África entre 2000 e 2010, de US$ 4 bilhões para US$ 20 bilhões, sua presença permanece bem menor de que a da China (cujo fluxo comercial com a África em 2011 excedeu os US$ 110 bilhões), o que torna difícil fazer comparações mais significativas.
Embora a estratégia do Brasil de focar primeiro na África lusófona (Angola e Moçambique, entre outros) seja muitas vezes retratada como uma ideia astuta, essa pode também ser a maior fraqueza do Brasil, pois parece reduzir a necessidade das empresas e do governo brasileiros de se adaptarem a países não lusófonos, contratando funcionários fluentes em inglês, francês e árabe. Quando, em debate aberto, um embaixador brasileiro recentemente indicou as barreiras linguísticas enfrentadas em países como o Sudão ou a Costa do Marfim, os participantes não puderam deixar de reconhecer quão pouco a China parece se importar com tais fatores limitantes, tendo estabelecido uma forte presença em todos os países apesar de barreiras linguísticas significativas e a quase completa falta de laços culturais entre a África e a China.
O seu novo papel como doador de ajuda está relacionado à presença econômica crescente do Brasil no continente africano, mas tal como outros doadores emergentes como a Índia e a China, o Brasil busca ir além da interação tradicional entre doadores e receptores, e almeja uma troca entre atores ‘iguais’, com responsabilidades e benefícios mútuos. Desde 2005, os projetos de desenvolvimento brasileiros são uma parte essencial da estratégia do Brasil na África. Após um breve período tanto recebendo quando enviando ajuda, os doadores do norte estão agora deixando de fornecer ajuda ao Brasil, que, ao que tudo indica, que já não é mais visto como um país em desenvolvimento.
O Brasil (juntamente com a Índia e a China) se limitará apenas a mudar algumas regras, isto é, a diluir as condicionalidades do regime de ajuda internacional? Ou buscará desfazer alguns dos princípios organizadores mais básicos do atual regime de ajuda ao desenvolvimento? Doadores emergentes terminarão eventualmente por adotar a posição da OCDE ou, como diz Ikenberry, “veremos as potências emergentes usar seu novo status para seguir visões alternativas da ordem mundial”? Ao tentar entender se doadores emergentes como o Brasil representam um desafio sério ao regime existente de ajuda, um regime que eles frequentemente descrevem como injusto, antiquado e dominado por antigas potências coloniais, a evidência, por enquanto, parece inconclusiva. O Brasil é ávido por assumir maior responsabilidade em instituições tais como o Banco Mundial, mas rejeita pilares chave do regime como a Declaração de Paris sobre a Efetividade da Ajuda. Ao mesmo tempo, assinou a Iniciativa de Doação de Bem Humanitário, ao contrário da maioria dos ‘doadores emergentes’. É necessário estudar mais a questão para entender melhor qual será a estratégia do Brasil à medida que emerge como um ator importante no regime global de ajuda (incluindo a ajuda humanitária).
Enquanto isso, o Brasil deve procurar superar os obstáculos práticos que impedem os laços Brasil-África de prosperarem. Os investimentos brasileiros na África são altamente concentrados em mineração, petróleo e gás, e infraestrutura, liderados por um número pequeno de grandes atores, a saber, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, Petrobrás, Queiroz Galvão e Vale. Essas empresas têm acesso direto aos governos e a capacidade de lidarem com barreiras burocráticas, ao passo que pequenas e médias empresas são excluídas.
A logística também é importante: há apenas uma conexão aérea direta entre o Brasil e o continente africano (entre São Paulo e Joanesburgo), mas a maioria dos viajantes brasileiros com destinos na África Central, Ocidental ou Oriental devem primeiro passar por Paris, Frankfurt ou Dubai. Contudo, um voo direto de Lagos a Recife não levaria mais que quatro horas e meia. A decisão do governo de impulsionar sua presença diplomática na África tem ajudado muito as empresas brasileiras com investimentos no continente (uma estratégia que o Brasil estranhamente deixou de seguir na China).
Ao passo que cresce a presença econômica do Brasil na África, a maneira como os africanos veem o Brasil irá, inevitavelmente, mudar. Embora a presença ainda seja muito menor de que a da Índia ou da China, o Brasil precisa tomar cuidado para evitar alguns dos erros cometidos pelos chineses, que correm o risco de enfrentar retrocessos regionais. Há evidências anedóticas de que os brasileiros são bem quistos em toda a África. Agora, o desafio é de se assegurar que, apesar de investimentos cada vez maiores – tais como o acordo de US$ 1 bilhão recentemente assinado pela Vale para construir uma ferrovia em Malawi para transporte de carvão para Moçambique – o Brasil continue a ser visto como um parceiro, e não como um novo colonizador que busca apenas explorar os recursos africanos.
*Oliver é professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Full title: "Liberal Leviathan: The Origins, Crisis, and Transformation of the American World Order" Princeton University Press
In his latest book, G. John Ikenberry, Professor of Politics and International Affairs at Princeton University, analyzes the origins of American World Order - a liberal hegemonic order he calls the "most successful order in world history." In addition, Ikenberry reflects on how the Bush administration's foreign policy and the recent shift of power towards a rising China will change today's global order, and asks what will be of the future of liberal internationalism.
Ikenberry calls the Post-World War II order a "distinctive blend of command and reciprocity, coercion and consent" in which the United States acts as a "liberal hegemon". Unlike earlier systems, this order has both realist and idealist elements, and it creates a framework in which "power and rules are not enemies, they can be friends, and they are both necessary in the production of liberal order." Rather than being a flat liberal order (such as the one designed by Wilson after WWI), today's order is built around institutionalized hierarchies, yet the system also has "consent-based logics" embedded in it. This unique and complex structure makes crude assertions that we live under an American empire unconvincing, and it explains why emerging powers have such a difficult time finding consensus about how to reform global order. At the same time, the West’s strong conviction of the system’s openness reduces its willingness to cede more space to emerging powers in those areas where hierarchy, not consent-based logic, is dominant.
The author is acutely aware that the current world order is in crisis - paradoxically because the United States' unipolar moment - with the "inside" Western system facing the Soviets turned into the "outside" order encompassing the globe - removed the U.S. of all constraints, leading it eventually to undermine the rules of the very order it had created.
Yet Ikenberry remains optimistic. Thinking of the way forward, he argues that "power is most legitimate and durable when exercised within a system of rules," noting that the best way to assert U.S. American power is to reaffirm the 'liberal hegemonic order'. Despite apparent flaws, the likelihood of the end of liberal order is small. Rather, the current state of affairs merely shows that the system has outgrown its American-led, hegemonic foundation, and the problems we see today are a symptom of the system's wild success, not its failure. Even in a system with few restraints to American unipolarity, no state engages in open balancing behavior against the United States.
Those who are familiar with Ikenberry's previous work will recognize several arguments he has made in After Victory, and in The Crisis of American Foreign Policy: Wilsonianism in the 21st Century: Today's system is highly integrative ("easy to join and hard to overturn"), as everyone - including not yet fully integrated powers - benefits from its existence. Add to that an extremely low probability of great power war (the ultimate sign that an international order has failed), and the continued existence of today's global order is assured.
Still, Ikenberry argues that the 'liberal Leviathan' will have to regain its lost authority and share responsibility. While the Bush administration weakened the liberal characteristics of the system and strengthened the imperial ones, the U.S. should commit more to the rules and norms - which would help stay at the center of the system for decades to come, and avoid the decline of the system. At the same time, it needs to strengthen the rules of the system and “recover the public philosophy of internationalism” in preparation of the moment when China will surpass the United States as the world’s most powerful actor. If it plays its cards right, the U.S. can assure that China will continue the United States’ ‘grand strategy of liberal order building’.
This raises the question in how far an authoritarian regime like China can play a leading role in today's order. This question is particularly important as today's liberal international order can no longer be narrowly drawn as a security order, but includes many complex rights and obligations, such as the 'Responsibility to Protect'.
While one may not always agree with Ikenberry’s interpretation, ‘Liberal Leviathan’ is indispensable reading for all those interested in the future of global order. The author’s analysis offers more than just a US-centered analysis as he recognizes that not all regions experienced the US-led global order in the same way. For example, while Western Europe enjoyed multilateral agreements, the Middle East and Latin America were exposed to the imperial characteristics of the system, thus creating regional imbalances that deeply affect how elites in different countries think about global order today.
http://www.outraspalavras.net/2012/03/31/por-que-os-brics-podem-mudar-a-geopolitica-do-mundo/
Por Gabriel Elizondo, correspondente da Al Jazeera no Brasil | Tradução: Daniela Frabasile
Oliver Stuenkel (na foto abaixo) fez parte da delegação brasileira para o fórum acadêmico Track II, em preparação para a Cúpula de Nova Délhi para líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), que aconteceu na quinta feira.
Stuenkel é especializado nas relações do Brasil com a Índia, mas também foca mais amplamente suas pesquisas nos BRICS. Ele é atualmente professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também coordena um blog chamado Post Western World, que olha como as potências emergentes estão mudando o mundo.
Abaixo, estão partes de minha entrevista com Stuenkel, na qual ele lança luz sobre o Brasil e as perspectivas e desafios que os BRICS enfrentam. Ele também contraria aqueles que dizem que os BRICS falharam.
Oliver Stuenkel: Ser parte dos BRICS é muito importante por que o conceito tem implicações geopolíticas. O país é visto como uma ameaça potencial aos poderes estabelecidos. E o Brasil tradicionalmente tem estado distante das áreas e temas mais importantes do mundo. Nunca fora visto antes como uma ameaça potencial, ou um país poderoso, com impacto relevante na situação global. Mas ser parte dos BRICS muda esta percepção, em algum grau. A aliança faz do Brasil um ator muito mais importante, na perspectiva europeia e norte-americana.
Penso que há, no Brasil, uma grande consciência de que ser parte dessa aliança, ou grupo, pode permitir participar, por exemplo, no debate sobre a emergência da Ásia. Isso é importante porque, até a inclusão da África do Sul, os BRICS eram basicamente três países (China, Rússia e Índia) que fazem parte da massa territorial da Eurásia. O Brasil é muito distante deles, geograficamente. Combinado com o fato de que Rússia, Índia e China se conhecem há muito tempo, isso contribuiu para o fato que, até a África do Sul se juntar, o Brasil manter-se como um estranho. A inclusão dos sul-africanos ajudou os BRICS a assumirem dimensão global, capaz de representar mais continentes. Também fez com que o Brasil se sentisse menos excluído.
A China ultrapassou os Estados Unidos, como maior parceiro comercial do Brasil. A relação do Brasil com os BRICS tornou-se mais importante que a relação com os Estados Unidos, ou até mesmo o Mercosul?
Stuenkel: É difícil responder isso, mas o governo brasileiro continua a focar na sua própria região. Existe um forte reconhecimento, no Brasil, de que o país sempre será parte da América do Sul e de que os laços econômicos e políticos com essa região sempre serão uma prioridade. No que diz respeito aos Estados Unidos, acredito que há uma divisão na liderança brasileira. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a maioria dos políticos diriam que os EUA eram absolutamente uma prioridade. Mas agora, com os governos de Rousseff e Lula, existem pessoas tentando equilibrar as duas. Acredito que o Brasil nunca escolher entre os BRICS ou os Estados Unidos – sempre haverá um certo equilíbrio.
Você acredita que os Estados Unidos e a Europa prefeririam que os BRICS fracassassem?
Stuenkel: No lado norte-americano, acho que existe um interesse forte em reduzir os laços entre o Brasil e o resto dos BRICS. Acredito existir um entendimento claro de que o fortalecimento destas relações é problemático… Repare que há muito poucas alianças poderosas no mundo sem nenhuma participação europeia ou norte-americana. Os BRICS são a única. E esse não é o interesse dos Estados Unidos.
Você vê evidências de interesses poderosos tentando dividir os BRICS?
Stuenkel: Existem esforços, nos Estados Unidos, para enfraquecer as relações entre o Brasil e os outros países do BRICS. Vemos isso na mídia. É muito difícil encontrar hoje qualquer comentarista norte-americano ou europeu que fale que o BRICS pode ser algo bom, a ser apoiado. A visão dos comentaristas e acadêmicos norte-americanos e europeus sobre o BRICS é muito mais cética que a Índia, por exemplo — onde há um novo grupo de pensadores emergindo.
Qual o maior desafio que o BRICS enfrenta?
Stuenkel: Articular uma visão comum, para mostrar ao resto do mundo que é uma aliança poderosa, que pode construir uma visão clara do que quer… Também acho que os BRICS precisam ser mais inovadores, porque agora estão sendo comparados a experiências passadas como o G7 e mesmo a União Europeia e OTAN. Muitas pessoas dizem “os BRICS não se parecem com a UE ou com a OTAN – por isso, vão falhar”. Acredito que o verdadeiro desafio para é pensar fora do padrão, considerar novas ideias, criar algo que nem existe ainda e não entrará em xeque quando algum problema bilateral entre seus membros aparecer.
Se forem capazes de fazer isso, quais serão os resultados?
Stuenkel: Se os BRICS forem capazes de falar com uma só voz em qualquer situação que envolva assuntos globais, vão se converter imediatamente em construtores de agenda e numa voz muito poderosa, que nem os Estados Unidos, nem a União Europeia poderão ignorar. Seria a primeira vez que teríamos uma alternativa séria à narrativa das potências estabelecidas sobre como ver o mundo. O controle do discurso global pelos norte-americanos ainda é bastante forte, porque os países emergentes não são capazes de articular uma visão alternativa nesse ponto. Os BRICS podem mudar isso.
Algumas pessoas dizem que os BRICS já falharam, por não terem estabelecido narrativa e visão unificadas. Você concorda?
Stuenkel: Não. Acho que existe, nos Estados Unidos e na Europa, interesse em assegurar que os BRICS não estabeleçam uma narrativa. Muitas análises que procuram criar uma imagem de que o BRICS são incapazes de encontrar essa visão comum. É bastante natural que países que começaram a se reunir formalmente há apenas quatro anos ainda tenham problemas a resolver. Nunca chegará o dia em que concordem em tudo, assim como a União Europeia e a OTAN não concordam em tudo.
Por que alguém que vive fora dos países do BRICS deveria se importar com eles, ou com o fato de se encontrarem anualmente como um grupo?
Stuenkel: Porque os BRICS têm o potencial de se tornarem uma voz muito importante. Não é possível resolver as mudanças climáticas, nem lidar efetivamente com a instabilidade financeira global, sem eles. Se estes cinco países disserem: “temos uma posição comum quanto às mudanças climáticas”, isso será de importância crucial para a próxima cúpula sobre o tema, e para o próprio debate global.
Onde você vê os BRICS em 2030?
Stuenkel: Em 2030, das quatro maiores economias do mundo, três serão países do BRICS. Eu acho que isso irá mudar fundamentalmente o mundo.
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http://www.haberler.com/yukselen-piyasalar-bulustu-3494033-haberi/
Haber Tarihi: 30 Mart 2012 Cuma Saat 14:00
Dünya ekonomisinin Yükselen piyasaları olarak kabul edilen genç sanayi ülkelerinin dördüncü zirve buluşması Hindistan'ın başkenti Yeni Delhi'de yapılıyor.
Dünya ekonomisinin Yükselen piyasaları olarak kabul edilen genç sanayi ülkelerinin dördüncü zirve buluşması Hindistan'ın başkenti Yeni Delhi'de yapılıyor.
BRICS zirvesinin gündem maddeleri arasında, kalkınma ve altyapı yatırımlarına finansman kaynağı sağlayacak bir ortak yatırım bankasının kurulması da bulunuyor. Brezilya hükümeti, ortak bankanın, dünya nüfusunun yüzde 40'ını oluşturan ve dünya gelirinin yüzde 22'sini yaratan BRICS ülkelerini Avrupa borç krizinin etkilerinden de koruyabileceği görüşünde. Aralarında önemli farkların bulunduğu ve çıkarlarının çoğu zaman çeliştiği BRICS ülkeleri birlik ve önem kazanma arayışı içindeler.
Liderler BRICS ülkelerinin dünya nüfusunun yaklaşık yarısını temsil etmesine rağmen toplam dünya geliri içindeki payının dörtte birinin de altında olmasından memnun değiller. Ama bu ülkeler büyük bir gelişme potansiyeline sahip.
Berlin'deki Alman Dış Politika Derneği uzmanlarından Alexander Rahr, Rusya'daki birinci BRICS zirvesinde saptanan hedeflere ulaşılamadığını hatırlatarak şöyle konuşuyor:
"Finans krizinin Batı'yı zayıf düşürdüğünü görüyorlar. ABD ve Avrupa Birliği çok güçlü olduğundan, Batı'ya alternatif güç oluşturamayacaklarını ve oluşturmamaları gerektiğini biliyorlar. Ancak, dünya düzenine yeni bir şekil verilmesinde söz sahibi olmak için Batı'ya paralel biryapılanma arayışı içindeler. Dezavantajları, homojen bir yapıda olmamaları ve bazı üyelerin BRICS'in siyasi örgütlenmesine karşı çıkması. Örneğin Güney Afrika Cumhuriyeti ve Brezilya sadece hammadde ortaklarıyla ticari ilişkilerini geliştirmeyi arzuluyor."
Ülkeler arasında farklılık
Gerçekten de BRICS üyelerinin rejimleri oldukça farklı. Gerçek demokrasi sadece Güney Afrika, Brezilya ve Hindistan'da var. Rusya ve Çin'in elan siyasi reform yolunda olmaları BRICS'in küresel önemini etkiliyor. Ama liderler Yeni Delhi'de ortak hedeflerinivurgulamayı tercih ediyorlar. Fakirlikle mücadele, gıda krizlerinin önlenmesi ve altyapının iyileştirilmesi gibi. Teknoloji ve bilgi transferiyle iklim değişikliği ile ortaklaşa mücadele de BRICS'in ajandasında yer alan konular.
Sao Paulo'lu Uluslararası İlişkiler Profesörü Oliver Stuenkel ortak kurumlaşmanın beş ülke arasındaki bağları güçlendireceği görüşünde. Stuenkel, "BRICS Kalkınma Bankası'nın kurulması, ilişkilerin kurumsal çerçeveye oturtulması açısından önemli. Bu çerçeve üyeleri daimi yükümlülük altına sokar ve gelecekteki işbirliğini de kolaylaştırır. Ekonomik işbirliği, BRICS ülkelerinin en iyi uyuştukları konu. Brezilya ile Hindistan arasındaki ticaret hacmi incir çekirdeğini bile doldurmuyor. Brezilya ile Rusya, ya da Rusya ile Güney Afrika arasındaki ticaret için de aynı şey söylenebilir" diye konuşuyor.
BRICS ülkelerindeki mal mübadelesi 2011 yılında yüzde 28 artarak 230 milyar euroya ulaştı. Yeni Delhi zirvesinin siyasi gündeminde ise Suriye'deki durum, Avrupa borç krizi ve İran'ın nükleer programıyla ilgili anlaşmazlık bulunuyor.
Soğuk Savaş'ın ardından dünya düzeninin karmaşıklaştığını belirten Alexander Rahr, Endonezya, Güney Kore ve Meksika gibi ülkelerin de daha fazla söz sahibi olmak istediğine dikkat çekiyor. Rahr, "Gezegenimizin güvenliği açısından önemli bulduğumuz 1990'lı yılların tek kutuplu dünya düzeni, Çin'in büyümesi ve Rusya'nın yeniden güç kazanmasıyla önemini kaybetti. Batı, Atlantik aşırı ilişkileri güçlendirip, Dünya Ticaret Örgütü'nü katalizör olarak kullanarak kendi kurallarını geçerli kılmaya çalışıyor. Bazı ülkeler ise çok kutupluluğa ayak uydurabilmek için paralel yapılanmalara yöneliyor. Bu yapılanmalar arasında BRICS ve Sekizler Grubu hepsinin namına konuşamadığı için onun yerini alan Yirmiler Grubu sayılabilir" diye konuşuyor.
http://blogs.aljazeera.net/americas/2012/03/29/brics-summit-perspective-brazil
By Gabriel Elizondo in Americas on Thu, 2012-03-29 20:49.
Oliver Stuenkel was part of Brazil’s delegation to the Track II academic forum in preparation for the New Delhi Summit for the leaders of Brazil, Russia, India, China and South Africa (BRICS) which was held on Thursday.
Stuenkel specialises in Brazil's relations with India, but also more broadly focuses his research on the BRICS. He is currently a professor of international relations at Getulio Vargas Foundation in Sao Paulo. He also runs a blog called Post Western World, which looks at how emerging powers are changing the world.
Below is part of my interview with Stuenkel, where he sheds light on Brazil and the prospects and challenges the BRICS face. He also pushes back against those who say that the BRICS countries have failed.
How important is the BRICS alliance to Brazil’s overall foreign policy?
Oliver Stuenkel: Being part of the BRICS is very important because the BRICS concept has geopolitical implications. It’s seen as a potential threat to the established powers. And Brazil has traditionally been very far away from the hot spots in the world. Brazil was never seen as a potentially dangerous or powerful country that seriously impacted the global situation. But being part of the BRICS changes that to some degree. So now that Brazil has this BRICS alliance, Brazil is suddenly seen as a much more important actor from the European and American perspective.
So I think there is a great awareness in Brazil that being part of that alliance, or grouping, can allow Brazil to participate in the debate about, for example, the rising Asia. This is important because, until the inclusion of South Africa, the BRICS were basically three countries (China, Russia and India) that were part of the Eurasian land mass. Plus Brazil is very far away geographically. That, combined with the fact Russia, India and China have known each other for a long time has made for a situation that, until South Africa joined, Brazil was sort of the odd man out. So the inclusion of South Africa has helped the BRICS become more of a global brand, capable of representing more continents and also helped Brazil feel less excluded.
China has surpassed the United States as Brazil’s largest trading partner. Has Brazil’s relationship with the BRICS become more important than Brazil’s relations with the United States, or even the Mercosul [Latin American bloc]?
OS: [It's] difficult to answer that, but the Brazilian government continues to focus on its own region. There is strong acknowledgement in Brazil that this country will always be part of South America and the economic and political ties with that region will always be a priority. In regards to the US, I think there is a divide with the Brazilian leadership. During the [era of former President] Fernando Henrique Cardoso [from 1995-2003] the majority of policy makers would have said the US is absolutely a priority. But now under Rousseff and Lula administrations, there are people who are seeking to balance the two. I think Brazil will never be a country that chooses between the BRICS or the United States – it will always be a balance.
Do you think the United States and Europe would prefer to see the BRICS alliance fail?
OS: Specifically from the American side, I think there is a strong interest to reduce the links between Brazil and the rest of the BRICS. So I think it’s clearly understood within the US that Brazil’s attempts to strengthen ties within the BRICS is seen as problematic … If you think about it, there are very few powerful alliances in the world without any European or American participation. The BRICS is the only one. And that is not in the interest of the US.
Do you see evidence of powerful interests trying to divide the BRICS?
OS: There are efforts underway, for example in the US, to see what options there are to weaken the links between Brazil and other BRICS counties. We see it in the media. It’s very difficult to find today any US or European commentators who say the BRICS maybe are really on to something, let’s give them a chance. The way commentators and academics in the US and Europe view the BRICS is much more sceptical than in India, for example, where there is a new group of thinkers emerging.
What is the biggest challenge the BRICS face?
OS: To articulate a common vision that will show the rest of the world that it is a powerful alliance that can articulate a clear vision of what it wants … I also think the BRICS need to be more innovative, because right now they are being measured against expectations on past experiences like the G7 and the EU and NATO. So many people say, ‘The BRICS don’t look like the EU or NATO, so they must have failed.’ So I think the real challenge for the BRICS is to think outside of the box and to consider new ideas and to create something that doesn’t even exist yet and doesn’t fall apart as soon as a bilateral problem comes up.
And if they are able to this, what would be the results?
OS: If the BRICS are able to speak with one voice on any issue in global affairs, they immediately turn into an agenda-setters and a very powerful voice that neither the U.S. nor Europe can ignore. It would be the first time we would have a serious alternative to the established powers narrative in how to view the world. The American control of the public discourse globally is still quite strong because the emerging countries are unable to articulate an alternative vision at this point. The BRICS can change that.
Some people say that because the BRICS have not established a unified narrative and vision, they have already failed. Do you agree?
OS: No. I think there is an interest in the US and Europe to see that the BRICS don’t establish that narrative. And I think there is a lot of analysis that seeks to depict the BRICS as an alliance that is incapable of finding that common vision. I think it’s quite natural for countries that have only been meeting formally for four years that there are still issues to be resolved. They will never reach the day when they agree on everything, just like the EU, NATO and OECD members don’t all agree on everything.
Why should anybody living in a non-BRICS country care about the BRICS or the fact they meet every year as a group?
OS: Because the BRICS have the potential to turn into a very important voice. You can’t solve climate change without the BRICS. You can’t deal with global financial instability effectively without the BRICS. So if these five countries can say, ‘We have a common position on climate change’, that is crucially important to the next climate change summit in terms of the global debate.
You can not solve climate change without the Brazilian president at the table. Even if the BRICS are unable to find common ground on a certain topic, that will strongly influence the attempt to find solutions.
Where do you see the BRICS in 2030?
OS: In 2030, of the world’s four largest economies, three will be BRICS counties. I think that will fundamentally change the world.
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http://www.dw.de/dw/article/0,,15843069,00.html?maca=en-TWITTER-EN-2004-xml-mrss
The world's emerging powers have said that the only way to resolve crises in Syria and Iran would be through dialogue as the BRICS summit came to a close in New Delhi on Thursday.
At the end of the summit, the BRICS bloc - comprising Brazil, Russia, India, China and South Africa - issued a warning to the West and Israel against possible military action over Iran's controversial nuclear program.
The bloc's declaration warned of "disastrous consequences" if the Iran conflict were allowed to escalate. It also backed UN efforts to resolve the Syrian crisis through "peaceful means."
"We agreed that a lasting solution in Syria and Iran can only be found through dialogue," Indian Prime Minister Manmohan Singh said in a closing statement of the one-day BRICS summit.
The BRICS nations also announced long-term plans to launch a BRICS development bank. According to the declaration, the BRICS finance ministers will evaluate the proposal and it will be discussed again at the bloc's next summit in South Africa in 2013.
The alliance also agreed to work together to play a greater role in world affairs.
A counterbalancing force
Together, BRICS nations represent nearly half of the world's population. Around 3 billion people live in the countries that make up the BRICS. Yet the GDP of these countries put together only makes up 22 percent of the global total.
The fourth BRICS summit started on Wednesday evening in the Indian capital of New Delhi. Experts refer to BRICS as a group of countries with great potential. Nevertheless, the objectives behind the formation of the group in 2008 have not been reached, according to Alexander Rahr of the German Council on Foreign Relations.
"They see the financial crisis is weakening the West. They see that no one can or should try to create a counterbalance to the West - America and the European Union are simply too strong for them to compete," Rahr told DW. "Nonetheless, the BRICS countries have decided to put their power together to try to create something parallel so they can have at least some influence in the makeup of the world order."
Yet finding common ground is not easy for its members. "The organization is not uniform - not all members want to turn the BRICS into a political organization. South Africa and Brazil mainly see the group as a platform to strengthen their trade relations for their raw materials," Rahr said.
Common ground
Only three members - Brazil, South Africa and India - are democratic countries. But despite their difference in systems, the five member states will take the opportunity of this year's summit to emphasize their similarities. Topics of discussion will be poverty reduction, avoidance of food crises, and improvement of infrastructure. They will also discuss the improvement of the transfer of technology and science and possible common ground on fighting climate change. Joint political institutions could also help them grow closer together, according to Oliver Stuenkel, professor for international relations in Sao Paulo.
"The creation of a joint bank has resulted out of a need to create a common institutional framework. Having an organization without any institutional framework makes the organization somewhat unpredictable, as it means there are no obligations for the members, no matter how often the group meets," Stuenkel said.
A framework would also make future cooperation easier.
"Economic cooperation is the topic over which there is the most consensus. It is the foundation of BRICS. Yet trade between Brazil and India is so low that it is hardly worth mentioning - just like trade between Brazil and Russia and Russia and South Africa."
Trade platform
Experts like Stuenkel see growth in trade between BRICS countries as a big success and a result of the summits; in 2011, the volume of trade increased by 28 percent to 230 billion euros (around 300 billion US dollars) according to the latest figures provided by the Indian Foreign Ministry.
"The unipolar world order of the 1990s, which was seen as something good and necessary for the protection of the planet, is no longer looked upon in the same way as before. This has to do with China's rise and Russia's return," Rahr pointed out, adding that in today's multipolar system, other structures are needed to represent more views.
Author: Priya Esselborn / ss
Editor: Gregg Benzow















